quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O velho samurai

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar aos jovens. Apesar de sua idade corria a lenda de que era capaz ainda de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação. Esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para perceber os erros cometidos deles, contra-atacava com uma velocidade fulminante.

O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecia a reputação do samurai e foi ali para derrotá-lo e aumentar a sua fama. Todos os alunos se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desfio. Juntos, todos se dirigiram para a praça da cidade e o jovem começou a insultar ao mestre ancião.

Jogou algumas pedras na sua direção, lhe cuspiu na cara, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive aos seus pais. Durante horas, fez tudo para provocá-lo, mas o ancião permaneceu impassível. Ao final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro se retirou.

Desiludidos pelo fato do mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos lhe perguntaram: - Como pudeste mestre, suportar tanta ofensa e provocação? Por que não usaste tua espada mesmo sabendo que poderias perder a luta, em vez de mostrar-te covarde diante de todos nós?

O ancião maestro samurai respondeu: - Se alguém chega a vocês com um presente e vocês não o aceitam, a quem pertence o presente? - A quem quis entregá-lo, respondeu um dos alunos.

O mesmo vale para a inveja, para a raiva e para os insultos, disse o mestre. Quando a gente não os aceita, continuam pertencendo a quem os levava consigo.

Viva Como as Flores!

-Mestre, como faço para não me aborrecer?
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes. Sinto mau sentimento das que são mentirosas. Sofro com as que caluniam.
-Pois viva como as flores!, advertiu o mestre.
-Como é viver como as flores? Perguntou o discípulo.
-Repare nestas flores, continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É compreensivel angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de estirpar todo mal que vem de fora.
-Isso é viver como as flores!

A Diferença entre a Força e Coragem

É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.

É preciso ter força para manter-se em forma,
mas é preciso coragem para ficar de pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para fazê-lo parar.

É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver.

A Lenda do Monge e do Escorpião

Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então a margem tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou. Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.

"Mestre, deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!"

O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:

"Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha."